sábado, 7 de janeiro de 2017

A CASA DA CHAVE

Uma das vertentes da exploração urbana é a "visita com autorização". Casas desabitadas, instituições encerradas, espaços públicos desactivados, estão muitas vezes fora do âmbito de intervenção de um explorador urbano porque simplesmente não estão abandonados e é necessário descobrir e convencer os proprietários das nossas "más" intenções para de seguida nos deixarem entrar para uma viagem fotográfica ao passado. A maioria das vezes essas tentativas revelam-se infrutíferas mas de vez em quanto a autorização chega, o responsável pela visita guiada está no local combinado à hora certa e isto acontece... como diria um dos meus colegas de viagem após ter entrado no foyer desta mansão "isto não vale nada"!


























quarta-feira, 28 de dezembro de 2016

A CASA DA QUINTA

Quando menos se espera as boas surpresas batem-nos à porta. Mais raro ainda é quando somos nós a bater à porta das boas surpresas e nos deparamos com uma bela e imaculada casa rural esquecida. Constituída por dois andares, este magnífico exemplar de uma casa rural do início do século XX proporcionou-me alguns dos mais requintados registos fotográficos que já tive o prazer de tirar. Uma verdadeira beleza que sabe sempre bem revisitar com a mente e com os olhos.



















segunda-feira, 22 de agosto de 2016

VIAGEM DE ESTUDO

Por norma as viagens em "classe clandestina" são realizadas ao crepúsculo, quando o sol não se destacou totalmente do horizonte e os aldeões ainda ressonam e babam a almofada. A viagem a esta casa foge um pouco a essa regra e a coisa poderia ter corrido mal porque apesar de ser um spot icónico do panorama urbex nacional e de já se encontrar em avançado estado de degradação, a propriedade é vigiada por um tenaz vizinho que faz dos terrenos que envolvem a casa local de aplicação dos seus dotes de agricultor de fim-de-semana e de feroz defensor de direitos alheios. Seja. Se é necessário entrar no interior de tão afamada habitação em plena luz do dia, mesmo que debaixo das barbas do empenhado defensor de detritos, que se faça a coisa o mais discretamente possível, nem que para isso, à entrada, se tenha de caminhar 100 metros entre canaviais e à saída se tenha a fortuna de passar mesmo debaixo do nariz do mal-disposto enquanto ele se dedica à poda de um pessegueiro ou macieira, já nem sei.

O interior, extremamente mal-tratado, ainda é cativante e muito elegante. O piso principal é composto por diversas salas, que constituem a zona comum da habitação, organizadas em torno de um dos mais belos saguões construídos em Portugal. A luz coada pelo lanternim cimeiro ilumina o claustro do primeiro andar deste magnífico exemplar de arquitectura romântica (à falta de melhor termo para o neo-qualquer-coisa em que o "claustro" foi edificado). Tudo à volta é ruína e num momento de ocasional sorte escapo ao inesquecível prazer de atravessar o soalho e de me estatelar no andar inferior, quando a minha perna esquerda atravessa todo o soalho até à anca enquanto me tento desajeitadamente safar com a ajuda da perna direita e uma mão livre, pois a outra ocupada está com o tripé e a câmara. Felizmente a Leis de Murphy não são muito rigorosas.